quinta-feira, 20 de julho de 2017

Opção simples para montar um (quase) hedge

Eu imagino que a grande maioria do pessoal dos blogs de finanças já ouviu falar ou já percebeu que o dólar e o IBOV tem uma correlação negativa quase que total. Claro que em alguns dias ou semanas os dois andam juntos, mas basta pegar gráficos mais longos e perceber como um vai pra um lado e o outro vai no sentido contrário.
(Acho que a maioria saiba o conceito de hedge, mas para quem não está familiarizado a wikipédia tem um artigo simples, mas bem informativo: https://pt.wikipedia.org/wiki/Cobertura_(finan%C3%A7as))

A questão é que eu não acho tão acessível operar dólar, mas é claramente uma ferramenta de hedge interessante pra gente que na maioria das vezes vai estar comprado em IBOV ou nos FIIs apostando em renda no longo prazo.

Há pelo menos 3 maneiras óbvias de se comprar dólar: mercado futuro, comprar moeda e aplicar em algum fundo cambial. Acontece que, pelo menos para mim, essas três opções não são muito viáveis. Mercado futuro é bem interessante, mas operar lá é um pouco mais complicado que simplesmente comprar uma ação. Comprar moeda e guardar no colchão também não é muito legal. E por fim, fundos cambiais têm o velho problema de outros fundos: as taxas de administração.

O grande objetivo do post é apresentar uma opção mais semelhante ao que estamos mais acostumados. Comprar ações que têm alta correlação com o comportamento do dólar e servirão de hedge para nossa carteira de ações e de FIIs. São as ações de empresas exportadoras, que têm quase que toda sua receita em dólar e que são muito afetadas pela cotação da moeda. Acho que isso não é uma grande novidade para os mais experientes, até mesmo para os iniciantes, já que os sites geralmente costumam dar bastante atenção para este fato. Mas vamos aos principais papéis: SUZB5, FIBR3, KLBN11, EMBR3, MRFG3, BRFS3 e JBSS3. Incluí a JBS apenas porque ela entra na categoria, mas o caso dela é mais delicado e merece mais atenção em algum outro post.

O foco do post é comentar sobre o papel que eu acho ser o melhor para fazer esse (quase) hedge que é SUZB5. Vejam no gráfico com os retornos dos três ativos desde junho de 2014 o que comentamos anteriormente em relação ao IBOV e ao dólar. Como os gráficos são praticamente espelhados. E também como a SUZB5 acompanha o dólar. Também é possível perceber porque eu utilizei o "quase" entre parenteses. Porque além de a SUZB5 não acompanhar o dólar 100% do tempo, já que outras coisas podem afetar as cotações, o próprio dólar não é um hedge perfeito em relação ao IBOV.

O papel sofreu muito com a queda do dólar a partir da cristalização do cenário de impeachment da Dilma, mas já se recuperou em parte, apesar de o real continuar se valorizando. Para quem, como eu, não acha tão trivial sair comprando puts ou operando futuros, acho uma boa dica colocar um pouco dessas ações na carteira para se proteger do maior risco que eu vejo hoje para a renda variável no Brasil que é o risco fiscal. 

6 comentários:

  1. Ações de Empresas com alta relação com o dollar uma grande vantagem que é isenção de pagar IR para vendas de menos de 20 mil reais por menos, então o custo seria só uma corretagem na compra e outra corretagem na venda.

    Outra vantagem pode ser o pagamento de proventos.

    E a ultima vantagem quando a empresa é bem gerida no longo prazo pode ter uma rentabilidade melhor do que a do dollar.

    ResponderExcluir
  2. É bem por aí mesmo, obrigado pela complementação do post. Eu achei que o post já estava grande demais, então não entrei nos detalhes. Mas é bem por aí mesmo. Acho que das que eu citei, a SUZB5 parece ser uma das melhores nesses quesitos todos.

    Abraço.

    ResponderExcluir
  3. Olá Economia dos Dividendos,

    Tem outras empresas que pode representar um certo "hedge" com o dolar. Por exemplo: WEGE3 tem 57% das receitas provenientes do exterior, possui lucros consistentes e caixa equilibrado. Omercado está pagando um pouco caro por ela, mas acredito que vale acompanhar.
    Outro ponto é analisar a estrutura de dívida da empresa, buscando identificar se o movemento do dolar pode impactar o seu resultado financeiro. Por exemplo: ALUP11 possui 10% da sua dívida em moeda estrangeira.

    Seja benvindo a blogosfera financeira, já te adicioneis na minha blogroll. Abraços.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Boa Aportador,

      Eu citei as mais "conhecidas". Sei que tem outras, mas não conhecia o caso da WEG, vou passar a acompanhar. A JBS é uma dessas que vc cita que tbm acaba tendo muita dívida em moeda estrangeira, além do risco atual na questão da corrupção.

      Obrigado por adicionar. Abraço

      Excluir
  4. ED,

    Não conhecia seu blog, vou adicionar à minha blogroll.

    Isso mesmo, nem tinha visto seu post e escrevi um parecido mas no caso estou de olho em klabin. Suzano também é boa pra isso, salvo engano ela tem 90% de receita em dólar.

    A única coisa que temos que atentar bastante são para os fundamentos da empresa pois se esse "hedge" não funcionar, a empresa tem que ter bons números para não ter que vender desesperadamente pois aí entra em especulação pura.

    Realmente comprar dólar requer um pouquinho mais de atenção mas no meu caso, você já deve até ter visto né?! Eu invisto no exterior em ETF e stocks.

    Abraço!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Fala BPM,

      Vi sim. Já acompanho alguns blogs faz bastante tempo, demorei até pra resolver colocar o meu de pé haha. Foi por isso que achei legal tua postagem inclusive. Você já tem investimento offshore, então tem mais instrumentos se quiser tomar posição em dólar. Eu não pretendo tão cedo ir pro offshore, mas vejo cada vez mais o pessoal da finansfera indo por esse caminho.

      abraço e obrigado pelo comentário.

      Excluir